O que ela sabe…

•Agosto 27, 2009 • 1 Comentário

Ela está sempre presente, na distância, na dor, na ferida incurável, no amor mais antigo.A ausência nunca ganha outro nome, é sempre a presença que ganha novos sentidos, a presença dela no peito, na alma, em tudo aquilo que é capaz de corroer, quando tudo aquilo que realmente sente não é verdadeiro, não é puro, não é real.O pensamento de fugir dessa dimensão começa a prevalecer, começa a crescer e achar que é realmente o pensamento mais correto pro momento, ela sabe que isso pode acontecer se continuar tão presente no peito que incendiou, ela sabe que pode morrer comigo, com um simples corte nos pulsos, ou algo triste alojado na cabeça, na cabeça que tanto dói, de tanto de pensar, e que tanto pensa para não pensar na dor. É triste, ela sabe da tristeza, é atraente, ela sabe que é, mas prefere ficar presente, mas sem tocar, sem ter nada a dizer, apenas existindo dentro do silêncio que me envolve, e me mata.

 

João Paulo Corumba

 

“Sou o que os seus olhos transmitem para o seu cérebro”-JPC

Busca por aliados

•Agosto 19, 2009 • Deixe um comentário

“A razão que se procura, já alterou os códigos, a visão que se diz escura,
já mudou de senha”. É penso sempre que os alarmes já não despertam mais e que as pessoas são como armas que sofrem quando não matam e quando não há inimigos.Sei que dentro do coração humano há um desejo a mais por algo que tenha valor, mas não sei se é pelo sangue ralo que possuem ou se é pela força que o próprio homem se desfaz.
O que não adormeceu, coagulou. Um sorriso seco, corações exaustos, que trafegam nas avenidas, em busca de um só, de um só aliado, algúem que dê ouvidos e nada mais.

 

“Todo desecanto é o descontrole interno”

Ferindo a ferida

•Junho 22, 2009 • 1 Comentário

És capaz de ferir a ferida
Pra se admirar como corpo
Como alma em carne viva
Uma paisagem morta
Na fonte que seca lágrimas
O que te afasta desse lar
De um lar onde águas abordam
E mostram o que move por dentro
Algo que morre, morde, e que é escuro.
É do gosto do veneno que o corpo tem sede
É da amargura que se perdeu na infelicidade
E se retirou do abismo por não se suportar
Por querer sentir o doce da luz que beija
A manhã que mal desperta e se deita
Como um vento que passa sobre os  nossos mortos olhares.

               João Paulo Corumba

“O excesso de conhecimento é o caminho para o palácio da sabedoria”

Complexos reflexos

•Maio 23, 2009 • Deixe um comentário

Quando o reflexo mente pelo ângulo que me detesta, eu penso comigo, tento encontrar algumas fugas em alguma beleza decepada que a consciência não nota. Conheço a nova paranóia, aquela que desenha a minha face como os destroços que sofrem só. As pessoas mentem para que possamos nos conformar, aceitar uma beleza imaginária, mas na verdade somos ridículos, somos imperfeitos, incompletos, a gente morre mesmo sentindo a vida, mesmo tendo os sonhos que pulsam porque querem ser reais.
Quem não vêem encanto em nós, apenas cumprimentam, não soa nenhum comentário que agrade, apenas vestígios de frases falhadas que são abafadas pela intenção discreta.
Ocorre aquela vontade de pedir isolamento, de se envolver com a escuridão que a gente vai criando a cada dia que passa por causa de um complexo que adquirimos por conta dos olhares maldosos dos outros que nos sugam, não em busca da beleza que se omite e sim dos defeitos que se destacam em nossa face, em nosso corpo por completo.Às vezes sinto uma força que me diz “Adormeça na fossa em que viveu a sua face” Nem sempre a gente concorda facilmente, mas depois nos entregamos de vez, adormecemos na nossa própria fossa. Somos nós mesmos que cavamos nosso  poço para ser visado por quem queremos atenção, mas somos impedidos por causa da inadequada projeção do olhar de quem nos julgam com a imagem que nossa face transmite.A beleza atinge o limite da vaidade, assim os nossos rostos são servos do espelho, o engano e a própria vaidade cega. Pra mim, belas, são as faces ocultas, como espelhos no escuro.

João Paulo Corumba

“Sou o que menos pesa quando o meu corpo não tolera minha face”-JPC

“Nosofobia”

•Maio 19, 2009 • Deixe um comentário

Qual o medo de se ver tremendo num chão sujo? A visão que escurece é um sinal de cansaço, sonolência permanente. Não volta mais. Pra que tanto medo de não ter o calor essencial para se manter vivo? Nós, seres humanos, respiramos nossas desgraças, e tememos as nossas próprias ações.Temos medo da violência que nos conduz e que age sem limites até a força natural nos mostrar o que crime que estamos cometendo.Essa visão humana se limita quando o medo evolui. No início encontramos forças, depois recuamos para nossos escudos  imaginários, talvez, isso se não existir alma que suporte tamanha dor. Somos seres doentes a procura de uma cura, e só enxergamos a contaminação na nossa frente, por ser mais fácil de ser encontrada e por ser  mais eficiente.Queremos destruir, pra nos encontrar entre os entulhos que nós mesmos criamos.



João Paulo Corumba


“O que é poético é a vida nessas noites brancas, que emite com clareza a digna sabedoria”-JPC

Vida bruta

•Abril 23, 2009 • Deixe um comentário

Deixamos nossa herança
Nesse mundo sem ofertas
No seu leito de frieza
No desfecho dessa eternidade!

Castigamos sem pecar
Com a fortaleza no peito
Ordenada por afetos!
Que sem pudor mastiga coragem!

Nosso nó desfeito
No auge dos fragmentos do passado
Onde arde a rica lembrança
Pelos rastros dos nossos nomes
Pelo calor da nossa história.


João Paulo Corumba

“Eu ando tão down”

•Abril 20, 2009 • Deixe um comentário


Tive piedade de quem me incendiou, hoje minhas cinzas
flutuam com a leveza do ar, e sofrem por serem restos
da minha alma de vidro. Foi-se como o beijo do tempo,
não quis se prender a uma coisa simples, porém completa,
(o presente), preferiu passar com uma pressa de rancor, com
uma velocidade impensada, com as palavras que incomodam,
então sinto desnecessário dar nome a esse sentimento que queima.
Foi-se como a voz do deserto, e deixou ecos de tristeza no meu
mundo solitário.

João Paulo Corumba

“O homem é o erro que sobrevive, o que polui, e a própria poluição do universo”-JPC

O que não foi revelado

•Abril 18, 2009 • Deixe um comentário

Desencantado sorriu um sorriso medroso, para a fúria da vida, para a delicada loucura. Fez da nua ausência de coragem, uma exposição para achar prazeroso o imaginário sem fundamento. Um corte, uma angústia fortalecida, uma noite mal dormida, um estrago psicológico, e uma correnteza fraca, como veias tímidas, que temem o próprio líquido que acolhem. Na garganta, nada se purifica, nada se desfaz, muito menos o nó que se satisfaz preso a ela. O chão constrói o receio de ser tocado, se refaz em lâminas, se protege em pedaços cortantes, não é fruto do desprazer, é a vontade de se sentir leve, sem nenhuma força humana.Os segredos, a corrida interna, o pensamento pálido, os olhos descontrolados, a questão mal elaborada, a proibida fuga, os desafios da lei, a sorte já encontrada, a saída preferida, os poderes na estante, a fortaleza em meu nome, tudo foi construído com a fragilidade que a força humilde traduz, com a mansa passagem do tempo desprotegido, com a calma da veia que adormece com o descuido de um coágulo. As manhãs nascem sem sorte, amadurecem suavemente, fazem do raio luminoso um olho aceso no auge da explosão, onde as luzes se aproximam com uma irritação organizada, alcançando toda a beleza da cor efusiva, e a imagem da destruição já reduzida. Pensamentos sem alicerce fazem do objetivo uma visão dilacerada, uma coragem desesperada, uma estranha sensação de queda.Assim que enxergo, cego na pureza do medo, e com visão de espião dos momentos insanos e fracassados.

João Paulo Corumba

“A inocência faz a sua vítima apresentar uma prova complexa”-JPC

A cruz que a flor carrega

•Março 15, 2009 • Deixe um comentário

 

Antes o espinho ferindo a flor
Provocando ataques com a ajuda dos ventos
Tumultuando com o embalo da poesia
Que é molhada com versos de sangue
Sangue vivo, mas da cor do chão
Que hoje é o rio, e onde pisamos
Com pura normalidade e satisfação
Nem percebemos a carne viva
Nem percebemos nossa ferida infeccionando
Passamos despercebidos pela vaga dor
Contraímos a doença de não ser normal
Fomos a cura, hoje somos o que contamina.

João Paulo Corumba

“O único segredo que não é revelado é a sensação de estar morto”-JPC

Seu orgulho!

•Março 9, 2009 • 1 Comentário

Quando seu topo se restringe ao meu declínio, sinto-me vazio por dentro. O cheiro de tudo que te deixa mais viva se corrompe, jamais se eleva como o sentido da existência humana. Seu comportamento manso e a sua forma de agir é a mesma com todos os corpos, com todas as faces. Percebo que a leveza da sua solidão parece mais ser um peso na sua consciência do que o seu próprio sentido.
Os lábios se excitam na correnteza de saliva que trazem um desejo aquecido, elas precisam se misturar como o sangue de ódio misturado com o sangue de amor. O fato de não poder admirar a sua sombra pelo tempo que necessito, me deixa completamente desequilibrado porque sei que estou presenciando uma ausência que incomoda, e que  provoca a expulsão daquelas águas que só saem dos olhos e que trazem uma solução inexata, obscura, secreta e super angustiante.
Você oferece a todos os que sobrevivem ao seu lado, uma pequena dose de ternura, mas que para nenhum deles é suficiente. Seu sorriso e os seus olhos confiantes acariciam as minhas ignorâncias por causa da existência pálida que morre após sentir a visão escura se acender dentro de um ser sofrido e ao mesmo tempo inocente por nevegar pelos mares de fortes correntezas da vida.

Seu orgulho!


João Paulo Corumba

” Prefiro manter minhas idéias vivas do que sofrer por escutar os outros”-JPC